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Preços de capacidade da MISO para 2026/27 caem 42% para US$126/MW-dia

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Preços de capacidade da MISO para 2026/27 caem 42% para US$126/MW-dia

O Leilão de Recursos de Planejamento (PRA) da MISO para 2026 registrou pagamentos de capacidade entre US$116 e US$126 por megawatt-dia. Esse resultado representa uma queda de 42% em relação ao recorde de 2025/26, que foi de US$217/MW-dia. Este é o segundo ano sob o mercado de capacidade reformulado da MISO, utilizando a Curva de Demanda Baseada em Confiabilidade (RBDC).

Para saber mais sobre o funcionamento do mercado de capacidade da MISO, leia nosso artigo explicativo.


Quais foram os preços de capacidade da MISO para 2026/27?

O modelo RBDC, introduzido no PRA de 2025, substituiu o modelo de compensação vertical por uma curva de demanda contínua baseada em confiabilidade. Essa curva precifica a capacidade conforme a confiabilidade, ao invés de um alvo binário de excedente.

A mudança para precificação sazonal sob o RBDC também alterou a composição das receitas de capacidade por estação. A participação do verão na receita anualizada subiu de 38% em 2024/25 para 78% em 2025/26 e 85% em 2026/27. O mercado de capacidade da MISO agora é impulsionado por preocupações de confiabilidade no verão, com outono (US$34/MW-dia), inverno (US$36/MW-dia) e primavera (US$8/MW-dia) contribuindo marginalmente para o preço anualizado.

A região Norte/Central (Zonas de Recursos Locais 1 a 7) registrou US$126/MW-dia. A sub-região Sul (LRZs 8 e 10) ficou em US$116/MW-dia, devido a restrições de transferência para o Norte da MISO. Além disso, a LRZ 9 na Louisiana ficou em US$123/MW-dia.

Por que os preços de capacidade da MISO caíram ano a ano?

Os preços registrados para 2026/27 refletem a entrada de nova geração, adiamento de aposentadorias de térmicas fósseis e aumento da acreditação de renováveis.

A capacidade total ofertada no leilão de verão cresceu 4,8 GW em relação ao ano anterior, de 137,8 GW para 142,6 GW. Além disso, a nova geração (+5,6 GW) e recursos externos (+1,0 GW) superaram as aposentadorias (-1,4 GW) e perdas líquidas de acreditação (-0,4 GW). A energia solar representou a maior parte dos novos projetos, seguida por gás e BESS.

Além disso, a energia solar se beneficiou do aumento da acreditação e conseguiu ofertar mais capacidade não forçada (UCAP) do que nos anos anteriores. Enquanto isso, eólica e algumas térmicas tiveram seus fatores de acreditação ajustados para baixo, após a MISO recalcular suas contribuições para a confiabilidade.

O excedente de verão acima do Requisito de Margem de Reserva de Planejamento da MISO (PRMR) subiu para 4,6 GW, ante 2,6 GW em 2025/26. Isso ficou na metade superior da faixa de 1,4 a 6,1 GW projetada na Pesquisa OMS-MISO de 2025. Esse crescimento na capacidade disponível contrariou as expectativas do mercado de queda contínua.

Com a geração superando a margem de reserva alvo, a curva de demanda descendente do RBDC compensou a preços mais baixos.

Quais as implicações de receita para BESS na MISO?

Para uma bateria de 4 horas na região Norte/Central da MISO, a receita de capacidade caiu de US$75/kW-ano em 2025/26 para US$44/kW-ano em 2026/27, uma queda de 42%. Somente o verão representou US$36/kW-ano dessa receita, com as outras três estações somando US$6/kW-ano.

Durações superiores a 4 horas não agregam fatores incrementais de capacidade na MISO, então baterias de maior duração não recebem benefícios adicionais de acreditação.

Ao contrário da duração, a localização é o principal fator de diferença de receitas entre ativos BESS. Baterias instaladas na região Norte/Central capturariam o preço anualizado mais alto, de US$126/MW-dia. Já ativos equivalentes no Sul da MISO seriam liquidados a preços menores, reduzindo a atratividade dos projetos.

Para desenvolvedores de baterias de modo geral, a queda de 41% na receita de capacidade destaca a importância dos spreads de arbitragem de energia e das receitas com serviços ancilares.

Operadores de ativos devem esperar que a receita anual de capacidade permaneça volátil sob o RBDC. Os preços do segundo ano recuaram de forma significativa, mas ainda permanecem bem acima do patamar pré-2024, de menos de US$10/MW-dia. Os preços de 2026/27 entram em vigor em 1º de junho de 2026.

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