Leilão de capacidade 2028/29 da PJM: preços permanecem no teto enquanto a escassez continua
Leilão de capacidade 2028/29 da PJM: preços permanecem no teto enquanto a escassez continua
Em 14 de julho de 2026, a PJM divulgou os resultados do seu leilão de capacidade para o período de entrega de 1º de junho de 2028 a 31 de maio de 2029.
Os preços ficaram no máximo permitido por lei pelo terceiro leilão consecutivo, mantendo-se em US$ 325/MW-dia. Os requisitos de confiabilidade continuam superando a geração disponível.
O preço final representa uma queda de 2,5% em relação ao leilão anterior, que foi de US$ 333/MW-dia, mas essa leve redução se deve apenas à diminuição do teto, e não a uma melhora nas condições do sistema.
Para baterias, a receita de capacidade por MW-dia permaneceu estável. Um sistema de quatro horas recebe praticamente o mesmo valor do último leilão, mantendo o ganho de 17,5% obtido para 2027/28.
Sem o teto, o leilão de 2028/29 teria fechado em US$ 555/MW-dia
A PJM define o preço de liquidação onde a oferta encontra uma curva de demanda predeterminada. Quando a oferta não atinge a meta de confiabilidade, o preço sobe até atingir o teto regulatório.
Pelo terceiro leilão seguido, o preço de liquidação atingiu esse teto. Todas as quatro zonas de carga fecharam no mesmo valor de US$ 325/MW-dia, sem diferenciação local.
Sem o teto, o cenário muda. A própria simulação da PJM mostra o leilão fechando em US$ 555/MW-dia, 71% acima. Só a ComEd teria se diferenciado, chegando a US$ 777/MW-dia. Esse mercado sem teto teria custado US$ 29,7 bilhões, contra os US$ 16,4 bilhões que os compradores realmente pagarão.
O preço sem teto ficou 18% acima do teto em 2026/27, depois 59% acima em 2027/28, e agora 71% acima. A supressão administrativa está aumentando, não diminuindo.
Capacidade liquidada ficou 6,8 GW abaixo do requisito de confiabilidade
A PJM precisava de 156 GW de capacidade não forçada para atender ao padrão de confiabilidade de um dia em dez anos. Foram adquiridos 149 GW, sendo 138 GW via leilão principal e 11 GW por aquisições regionais adicionais. O déficit de 6,8 GW é maior que o déficit de 6,5 GW do leilão anterior.
A diferença na margem de reserva também reflete a escassez do sistema. A capacidade instalada total cobriu 14,7% acima da carga máxima, frente a um alvo de 20%. Este é o segundo leilão consecutivo a ficar mais de um ponto percentual abaixo da meta.
A demanda está impulsionando essa diferença. A previsão de pico da PJM aumentou cerca de 2.000 MW em relação ao leilão anterior, puxada pelo crescimento contínuo de data centers. Novas gerações e ampliações adicionaram apenas 525 MW de UCAP. A nova oferta mal se move enquanto a demanda cresce.
Classificações ELCC mudaram, assim como o mix de recursos liquidados
Cada tecnologia recebe crédito de capacidade por meio da sua Capacidade Efetiva de Suporte à Carga (ELCC), a parcela da capacidade nominal que se mostra confiável no pico de carga. A PJM reclassifica cada categoria a cada leilão, indicando em quais recursos confia para garantir confiabilidade.
A energia eólica sofreu o maior corte. Eólica onshore caiu de 41% para 34%, offshore de 67% para 60%. As classificações térmicas subiram para gás e carvão. O armazenamento de quatro horas subiu de 58% para 59%.
O mix liquidado também mudou, embora não apenas pelas classificações. O carvão caiu 2,9 GW, passando a 18% do parque gerador, principalmente devido a desativações planejadas. O gás natural liquidou 5,6 GW a mais de UCAP e agora representa 46%, impulsionado por maior acreditação, unidades migrando para gás e o retorno de unidades anteriormente isentas ao mercado.
Participação de baterias segue crescendo, mas retornos se estabilizam
As baterias registraram outro grande salto na participação. Foram ofertados 205 MW de UCAP para 2027/28 e 478 MW para 2028/29, um aumento de 133%. Considerando sistemas de quatro horas, isso equivale a cerca de 810 MW de capacidade nominal, ante cerca de 350 MW anteriormente.
A receita das baterias manteve os ganhos do leilão anterior. Uma bateria hipotética de quatro horas que liquidasse neste leilão receberia cerca de US$ 192/MW-dia (US$ 69.989/MW-ano) ao preço de liquidação de US$ 325/MW-dia.
O mesmo ativo recebeu US$ 193/MW-dia (US$ 70.591/MW-ano) para 2027/28, uma diferença de menos de 1%. Após o salto de 17,5% naquele leilão, os pagamentos de capacidade para armazenamento se estabilizaram em um novo patamar mais alto, com a melhora no ELCC compensando o teto menor.
O que a PJM está fazendo diante da escassez
Três leilões seguidos no teto levaram a PJM e os reguladores a buscarem novas ferramentas. As soluções de curto prazo são paliativas: leilões emergenciais de backstop, regras de restrição para grandes novas cargas, incentivos para geração própria e processos rápidos de conexão.
A dúvida para o longo prazo é se o mercado de capacidade sobreviverá no formato atual. A PJM sugeriu três redesenhos estruturais, desde hedge obrigatório de longo prazo até reduzir o mercado a um backstop, enquanto o preço de escassez do mercado de energia ganha mais peso.
As baterias se beneficiam em ambos os cenários. Regras que aceleram a entrada no mercado favorecem o armazenamento agora, e uma maior volatilidade no mercado de energia traria ganhos futuros.
A PJM precisa de mais capacidade do que o mercado está entregando. Até que a oferta alcance a demanda, os preços continuarão pressionando o teto, e o armazenamento está bem posicionado para capturar uma fatia crescente da resposta.





